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    Produção de água na Região Metropolitana de São Paulo (m³/s). Fonte: Sabesp, 2017.
A gestão eficiente de recursos hídricos na construção

Opinião | Prof. Dr. Orestes M. Gonçalves

O desafio da gestão eficiente de recursos hídricos no setor da construção civil sempre esteve presente entre os temas relevantes dos projetos, pesquisas científicas e estudos que tradicionalmente realizamos para a disseminação de conhecimento na área de Engenharia de Sistemas Prediais do Departamento. Com foco em inovação, desempenho, operação e uso racional, temos sido protagonistas na formulação e desenvolvimento de programas institucionais de tecnologia e gestão para a conservação de água, tais como os pioneiros PURA - Programa de Uso Racional da Água da SABESP e PNCDA - Programa Nacional de Combate ao Desperdício de Água.

Diante das atuais crises hídricas recorrentes no mundo, o tema do combate ao desperdício de água ganha relevância, em especial, se considerarmos que o consumo de água de abastecimento das regiões metropolitanas é significativo, podendo chegar a aproximadamente 49% como é o caso da Macrometrópole de São Paulo. Mesmo no Brasil, uma das principais potências hídricas mundiais, já vivenciamos problemas graves que envolvem longos períodos de escassez de água, desequilíbrio no regime pluvial previsto conforme a estação do ano e consequentes reduções abruptas na quantidade de água dos reservatórios. Torna-se necessária, portanto, uma rápida conscientização sobre a importância da adoção de modelos eficientes para a gestão de demanda da água, o que envolve a compreensão sobre os papeis a serem desempenhados por todos os agentes envolvidos. Seja para a disseminação do conhecimento, formulação de políticas públicas e setoriais, ou mesmo para a inovação tecnológica na indústria de materiais e componentes tais como louças e metais economizadores, e, ainda, para campanhas educativas que estimulem o uso racional por parte da população, precisamos adotar visão sistêmica frente ao desafio.

Recentemente, no âmbito da Comissão de Meio Ambiente (CMA) da CBIC, participei da coordenação do conteúdo da publicação “Gestão de Recursos Hídricos na Indústria da Construção: Conservação de Água e Gestão da Demanda”, lançada no último mês de maio, durante o 89º Encontro Nacional da Indústria da Construção (ENIC 2017). No material, destaco que são necessárias ações estruturantes e tecnológicas que promovam o uso eficiente da água de modo prioritário em duas fases do ciclo de vida de um empreendimento: 1. Concepção do projeto de engenharia predial; 2. Gestão, uso e manutenção da edificação. Tais fases geram resultados efetivos que podem se tornar ainda mais significativos quando implementados em conjunto com o consumo consciente.

Dados sobre a produção de água na Região Metropolitana de São Paulo registrados antes, durante e após a conhecida “crise hídrica” de 2015 reforçam que o viés comportamental do consumidor não pode ser tratado como a principal solução a ser adotada. Em março de 2014, por exemplo, a demanda por água na região metropolitana de São Paulo era de 67 metros cúbicos por segundo. Em março de 2015, auge da crise hídrica do estado, que premiava quem poupava água e multava quem desperdiçava, a demanda caiu para aproximadamente 51 metros cúbicos por segundo. Já em março de 2017, com o , mesmo em cenário de crise econômica, a demanda voltou a subir para 62 metros cúbicos por segundo.

A mudança cultural que leva a um comportamento consciente para a economia sistemática de água leva tempo, talvez o tempo de uma geração. Pesquisa e implementação de conhecimento para a concepção de projetos eficientes com aplicação de inovação tecnológica somados a métodos de avaliação do desempenho do empreendimento na fase de uso, operação e manutenção são itens cruciais frente ao desafio da gestão da demanda de água na construção. Seja para o uso de água potável, ou mesmo, em casos possíveis, para o uso de água não potável, sempre atentando para o fato de que toda e qualquer ação deve ser adotada com o devido olhar cauteloso para o fato de que estamos lidando com um bem natural diretamente relacionado à saúde e ao bem estar do ser humano.